«Ele chegou perto dela, encostou a sua mão fria ao rosto macio de Mónica. Beijou-lhe a testa. Ela sorriu.
-Porque tens de ser sempre tão atencioso?
-Não gostas que o seja? Desculpa mas sinto que tenho de faze-lo ou então tu afastas-te de mim.
Ela olhou-o de relance.
-Não o faço por mal sabes bem disso.
-Eu sei menina, eu sei. – mostrou ser compreensivo – é que… tu és demasiado importante para eu conseguir estar longe de ti, por isso faço tudo para que não te afastes de mim. Entendes?
Ela sorriu uma vez mais. Pegou numa das mãos dele e encostou-a ao peito.
-Sente-lo? Está acelerado. Isto é o que tu provocas em mim… Uma enorme vontade de fugir mas ao mesmo tempo uma força enorme faz com que fique.
-Que queres dizer com isso? – Parecia confuso.
- Não sei o que seria de mim sem ti…
Ele sorriu e beijou-lhe a face. Durante algum tempo mantiveram-se calados. Até que Jorge disse:
- Minha pequenina, eu gosto muito de ti, eu…
- Tu? Podes dizer nabo eu não levo a mal, juro. – Estava preocupada, tentava disfarçar para que ele não entendesse.
- Eu não posso mais continuar a esconder-te, desculpa se estragar tudo o que construímos juntos até agora mas há algo que necessitas saber.
Ela largou a mão dele num movimento brusco, olhou-o de lado como se estivesse ofendida com o que ele lhe dissera.
- Nem acredito que me escondes-te algo, pensei que cumpririas com o prometido e confiarias em mim enquanto fossemos o que somos, amigos. Mas não, talvez não seja boa amiga o suficiente… - sussurrou num tom afónico.
- Não foi por mal que te escondi nabiça, foi por medo, medo de te perder. Eu amo-te, é esse o problema, amo-te demasiado e quero-te mais do que aquilo a que tenho direito. Eu amo-te tanto – calou-se, respirou – Desculpa.
Ela não o olhou, continuou com a cabeça apoiada nos joelhos. Pegou num pequeno galho que se encontrava junto ao seu pé e dirigiu-se até junto do mar. Ele seguiu-a com os olhos até ela parar, reparou que ela se baixara e que estava a escrever algo na areia. Levantou-se num ápice e foi até junto de Mónica.
Ela tinha escrito “amo-te” mas o mar apagava a palavra, continuou a escrever mesmo sabendo que o mar viria roubar o termo novamente.
- Sabes Jorge – inspirou – isto é o que acontece comigo. Há semanas que ando a tentar roubar esta palavra ao coração, mas ele continua a grava-la, cada vez mais intensamente na mente. Amo-te, amo-te muito.
Jorge pegou-a pela cintura, juntou-a ao seu corpo, passou uma das mãos pelo rosto dela e carinhosamente disse-lhe:
- Posso princesa? – Tinha medo de errar.
Ela sorriu e assentiu com a cabeça.
Delicadamente, Jorge encostou os seus lábios aos dela, parecia o seu primeiro beijo. Depois olhou-a nos olhos, limpou-lhe as lágrimas de felicidade de lhe corriam nas faces rosadas. Ambos sentiam-se completos.
-Amo-te muito príncipe. – Sussurrou-lhe ao ouvido.
-Eu também – disse sorrindo – Mónica, minha menina, eu sei que por vezes não sou quem tu gostarias que fosse – pôs-se de joelhos – mas mesmo sendo como sou, davas-me o privilégio de seres minha namorada?
- É o que eu mais desejo nabo – abraçou-o com toda a força que teve – por favor nunca te afastes de mim, meu amor. Agora sim, posso dizer que sou feliz, tudo graças a ti (…)»
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